Vicissitudes

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Olá a todos

Neste espaço espero poder partilhar ideias, pensamentos e experiências com todos vós. Gostaria de começar com um poema que, na minha opinião, espelha o significado da vida. Espero que gostem.

Boas reflexões

Imagem do blog

Hoje venho falar-vos da imagem que escolhi para o meu blog.

Trata-se do Monumento do Leão, em alemão Löwendenkmal, que se encontra na cidade de Lucerne, na Suíça.

Quando visitei o local ficou impressionada e “tocada” pela expressão de um leão num atroz sofrimento e numa agonia tal que parece aguardar o último suspiro para poder descansar em paz. Não consegui ficar indiferente a tamanha expressão de emoções. Para mim representa o combate pela vida e pelos princípios que norteiam as nossas condutas, combate esse que se prolonga até ao último bater dos nossos corações.

Importa agora contar a história desta magnífica escultura.

O Monumento do Leão de Lucerna representa um leão gigante moribundo esculpido numa rocha de arenito. Foi projetado como um memorial para os soldados suíços que perderam a vida enquanto serviam o rei francês Luís XVI durante a Revolução Francesa. Os suíços, politicamente neutros, desfrutavam de uma reputação de honrar os seus acordos. Assim, desde o início do século XVII que um regimento de soldados suíços fazia parte da guarda do rei de França. A 6 de Outubro de 1789, o rei Luís XVI foi forçado a retirar-se com a sua família do Palácio de Versalhes para o Palácio das Tulherias em Paris. Em 1792, durante a Insurreição de 10 de Agosto, revolucionários invadiram o palácio em busca de sangue aristocrático. Mais de 700 oficiais e soldados suíços morreram defendendo o palácio, sem saber que os reis já tinham abandonado o edifício.

Em 1819 o artista dinamarquês Bertel Thorvaldsen foi contratado para desenhar um monumento aos Guardas suíços mortos. Lucas Ahorn (1789-1856), um artista alemão esculpiu a figura do leão entre 1820 e 1821. A escultura gigante tem cerca de 6 m de altura e 10 m de comprimento. A parede vertical da rocha é parte de uma pedreira explorada ao longo dos séculos para construir a cidade.

O escritor norte-americano Mark Twain (1835–1910) elogiou a escultura de um leão mortalmente ferido como "a mais lúgubre e tocante peça em pedra no mundo." Na sua obra "A Tramp Abroad" o escritor refere-se assim ao monumento:

O leão encontra-se no seu covil na face perpendicular de um pequeno penhasco — pois ele está gravado na rocha viva do penhasco. O seu tamanho é colossal, a sua atitude é nobre. A sua cabeça está arqueada, a lança partida está espetada no seu ombro, a sua pata protectora descansa sobre os lírios de França. Vinhas pendem do penhasco e acenam ao vento, e um curso de água límpido goteja do topo para um pequeno lago na base, e na suave superfície do lago espelha-se o leão, por entre os nenúfares. Em seu redor há árvores verdes e relva. O local é refugiado, repousando num recanto de de um bosque, remoto do barulho, do tumulto e da confusão — e tudo isto se adapta, pois os leões morrem em tais locais, e não em pedestais de granito em praças públicas rodeado de muros com elaborados gradeamentos de ferro. O Leão de Lucerna seria impressionante em qualquer local, mas nunca tão impressionante como no local em que se encontra.

Mark Twain, A Tramp Abroad

Fonte: http://travelguide.all-about-switzerland.info

DESIDERATA

"Vai suavemente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio. Sem seres subserviente, mantém-te em paz com todos. Diz a tua verdade calma e claramente e escuta com atenção os outros ainda que menos dotados ou ignorantes, também eles têm a sua história. Evita as pessoas barulhentas e agressivas pois são mortificações para o espírito. Não te compares com os outros, podes tornar-te presunçoso ou melancólico pois haverá sempre alguém superior ou inferior a ti. Alegra-te com os teus projectos tanto como com as tuas realizações. Ama o teu trabalho, mesmo que ele seja humilde, pois ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos. Sê prudente nos teus negócios pois o mundo está cheio de estultícia mas que isso não te cegue a ponto de não veres a virtude onde ela existe. Muita gente luta por altos ideais e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo. Sê tu mesmo e sobretudo não simules afeição nem sejas cínico em relação ao amor pois, perante a aridez e o desencanto ele é perene como a relva. Toma amavelmente os conselhos dos mais velhos e renuncia com graciosidade às ideias loucas da juventude. Cultiva a fortaleza de espírito para que não sejas apanhado de surpresa nas ciladas inesperadas da vida. Não te aflijas com perigos imaginários: muitas vezes o medo é resultado do cansaço e da solidão. Além de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo. Tu és um filho do Universo e tal como as árvores e as estrelas, tens o direito de o habitar. E quer isto seja ou não claro para ti, o Universo é-te disto revelador. Mantém-te em paz com Deus, seja qual for o conceito que Dele tiveres. Mantém-te em paz com a tua alma apesar da ruidosa confusão da vida. Apesar das suas falsidades, lutas e sonhos desfeitos, o Mundo é ainda maravilhoso. Sê cuidadoso. Luta. Luta para seres feliz."

Max Ehrmann (1927)

Procura-se um amigo

"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor... Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive." Vinicius De Moraes

Este poema é lindíssimo e conheci-o através de uma grande amiga que, de forma inesperadae sem pedir nada em troca, ofereceu-mo. desde então é um dos poemas meu preferido. Acho que todos, de uma forma ou de outra, nos revemos neste conjunto de estrofes, quer estejamos na situação de precisar de um amigo, quer possamos ser o amigo que muitos buscam.


Os livros da minha vida

Nesta secção abordarei os livros mais marcantes na minha história de vida.

Orgulho e Preconceito de Jane Austen editado em 28 de Janeiro de 1813

Na minha opinião é um dos melhores romances alguma vez escrito. A forma como a autora criou as personagens com os seus conflitos internos, personalidades, objectivos e as relações que estabelecem entre si é, de facto, notável.

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"Verónica decide morrer"

Um outro livro que, apesar de não estar ao nível de Orgulho e Preconceito, marcou-me nos últimos anos é “Verónica decide morrer” de Paulo Coelho. Quando uma altura passei numa livraria e li o título fiquei com vontade de ler a história, e não fiquei de modo algum desiludida. É uma história baseada em factos verídicos. Em linhas gerais aborda o percursos acidentado de uma emigrante que vai para a Suíça à procura de uma melhor vida mas que acaba por entrar num processo de auto-destruição que a leva quase ao suicídio. A principal lição surge quando ela sobrevive ao envenenamento e recupera numa casa de apoio psíquico. O médico responsável tinha uma metodologia sui generis e envereda por um tratamento original. Assim, Verónica pensa que está a morrer pois segundo o médico o veneno por ela ingerido está a matar lentamente os diversos órgãos pelo que terá apenas algumas semana de vida. Verónica começa a ter consciência da sua morte e inicia uma amizade com um rapaz que lhe desperta novamente a vontade de viver e que mostra o amor. Decidem fugir da instituição e aproveitar ao máximo o tempo que ainda resta a Verónica. Na realidade ela não está a morrer e o médico apenas quis provar-lhe que a vida é algo de fantástico e que o amor é essencial para recuperar o desejo de viver.

Os amores da minha vida

Hoje venho falar-vos de uma das (poucas) paixões da minha vida, o Braga. Apesar de ser um tema que é muito caro e do qual não gosto muito de falar, fui desafiada a escrever sobre o assunto. Lembro-me perfeitamente quando descobri o que era o “fora-de-jogo”. Após várias explicações lá consegui perceber o que era e detectar a situação. Posso contar algumas peripécias desta já longa relação com o futebol e, mais concretamente, com o meu clube. Uma altura fui ver o Braga a Alvalade, o estádio estava cheio e estávamos seis singelos adeptos do Braga a torcer pela equipa. O Braga entrou muito mal no jogo e aos trinta minutos já estávamos a perder por dois zero. Deu por mim a tremer como vara verde e a pedir encarecidamente aos meus companheiros de viagem para irmos embora de volta para a nossa cidade. Não consegui demover nenhum deles e lá tive que ficar até aos fim….e acabou por valer a pena, conseguimos empatar dois a dois! Uma outra altura fui a Leiria e no final do jogo alguém se queixou que lhe tinham roubado a máquina de fotografar. À saída do estádio a polícia fez uma vistoria ao pessoal. Quando chegou a minha vez pediram para verem a minha máquina. Eu queira mostrar umas fotos que tinha tirado mas não consegui mostrar como s ligava a máquina. A polícia deve ter ficado tão surpreendida com a minha inoperância que deixou-me ir embora. Apesar da minha adoração incondicional pelo meu Braga a verdade é que ao longo destes anos o sofrimento tem sido imenso, pois o meu coração bate muito forte, nem que seja num jogo de apresentação ou amigável. Mas não há nada a fazer, é mesmo assim. A minha relação apesar de ter uma parte substancial de racionalidade é muito emocional e intensa.


Solidão

O poema de Chico Buarque resume na perfeição o que é a solidão.

"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto...

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma." Chico Buarque

Solidão é acima de tudo quando nos perdemos de nós mesmos, e procurámos no exterior aquilo que tem de estar no nosso interior.


Outono

Já se sente e cheira o outono! Adoro esta época do ano. O frio começa a apertar e é tão bom ouvir a chuva a cair e o vento a soprar. As cores do outono são algo extraordinário, é incrível como as folhas começam a adquirir tons avermelhados. As ruas começam a encher-se de folhas formando tapetes que nos acompamnham ao longo do caminho. Para além da beleza natural desta altura do ano, fascina-me a simbologia que a natureza reflecte no ser humano. A queda da folha relembra-nos que a vida é feita de ciclos e que tudo tem um tempo, existe tempo para nascer, crescer, morrer e renascer. Lembro-me de um texto muito bonito que uma altura li e que, de vez em quando, releio. Este texto fala do sentido da nossa vida, espero que gostem.

Em busca da Felicidade

Respeitei na juventude o mundo todo e a vida

De nada sentia falta a não ser da paz d'espírito,

E, contudo, eu mudei, apesar das minhas crenças,

nas mentiras de Iktumi* acreditei cegamente.

Parecia que da verdade, era ela a detentora,

e, solene prometeu fazer-me feliz para sempre.

A Wakantanka* riquezas ela me fez implorar,

afirmando que poder eu viria a ter;

Foi-me oferecida a pobreza, p'rá minha força interior achar.

Pedi fama, para os outros me poderem conhecer;

Foi-me dado o anonimato, pr'a saber conhecer-me.

Pedi alguém a quem amar p'ra jamais ficar sózinho;

Foi-me dada a vida dum eremita, p'ra aprender a aceitar-me como sou.

Pedi poder, p'ra coisas realizar;

Foi-me dada a hesitação, p'ra a obedecer aprender.

Pedi saúde, p'ra uma vida longa viver;

Foi-me dada a doença, p'ra cada minuto sentir e também apreciar.

Pedi à Mãe Terra coragem, p'ra seguir o meu caminho;

Foi-me dada a fraqueza, p'rá sua falta poder sentir.

Pedi uma vida feliz, p'rá vida poder gozar;

Foi-me dada a vida, p'ra poder viver feliz.

De tudo o que havia pedido, nada me foi ofertado, apesar disso, contudo, todos os meus desejos realidade se tornaram.

Não obstante eu próprio e a malvada Iktumi,

os meus sonhos se realizaram,

Fui generosamente abençoado, mais do que alguma vez esperei.

In "Uma viagem espiritual" de Billy Mills / Nicholas Sparks


Auto-conhecimento

Existe um livro que não é muito conhecido entre nós, "O Profeta" de Khalil Gibran (ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa). Aborda diversas temáticas relacionadas com a aventura da vida. Hoje vou selecionar uma delas, o auto-conhecimento. Acho que é um dos principais objetivos da nossa vida. Esforçamo-nos tanto por entender os outros que nos esquecemos de nós mesmos, do nosso espírito, da nossa missão. Partilho convosco este belo texto, que nos possa inspirar a conhecermo-nos melhor e depois poderemos ajudar os outros a conhecerem-se e a encontrarem-se.


"Então um homem disse, Fala-nos do Auto-conhecimento.

E ele respondeu, dizendo:

Os vossos corações conhecem em silêncio os segredos dos dias e das noites.

Mas os vossos ouvidos anseiam pelo som do conhecimento do vosso coração.

Vós sabeis por palavras aquilo que sempre soubestes em pensamento.

Tocais com a ponta dos dedos o corpo nu dos vossos sonhos.

E ainda bem que assim é.

A nascente oculta da vossa alma deve erguer-se e correr a murmurar para o

mar, e o tesouro das vossas profundezas infinitas será revelado perante os vossos olhos.

Mas que não haja medidas para pesar o vosso tesouro desconhecido;

E não procureis as profundezas do vosso conhecimento com limites.

Pois o ser em si não tem limites nem medidas.

Não digais "Encontrei a verdade", mas antes "Encontrei uma verdade."

Não digais "Encontrei o caminho para a alma", mas antes "Encontrei a alma a seguir o meu caminho.

Pois a alma percorre todos os caminhos.

A alma não percorre uma linha, nem cresce como um caniço.

A alma desvenda-se a si própria como um lotus de incontáveis pétalas."


O Profeta

Khalil Gibran


As músicas da minha vida

De entre as muitas músicas que aprecio destaco uma que se chama "How can I go on" interpretada por Freddie Mercury e Montserrat Caballe. Esta música emociona-me pois para mim é uma oração que nos faz refletir sobre o que foi e o que virá. Partilho convosco um vídeo legendado, espero que apreciem tanto como eu.

http://www.youtube.com/watch?v=qbUo0wdEd4k